Descobrir o que comer quando se é diagnosticado com SIBO é um dos maiores desafios dos pacientes. A reação imediata costuma ser cortar tudo da alimentação. No entanto, a ciência de vanguarda mostra que o excesso de restrição no momento errado pode sabotar a recuperação.
Para esclarecer esta questão, baseamo-nos nas diretrizes do Dr. Mark Pimentel, diretor do programa MAST no prestigiado Hospital Cedars-Sinai (Los Angeles) e a maior autoridade global em SIBO e saúde intestinal. As descobertas da sua equipa mudaram completamente a perspetiva sobre a alimentação nesta fase.
Quem é o Dr. Mark Pimentel e por que a sua abordagem importa?
O Dr. Mark Pimentel é o cientista que lidera as principais investigações sobre a ligação entre a Síndrome do Intestino Irritável (SII) e o SIBO. À frente do laboratório do Cedars-Sinai, ele desenvolveu os protocolos de tratamento mais eficazes utilizados hoje no mundo.
Uma das suas grandes qualidades é traduzir conceitos clínicos complexos em passos simples para os pacientes. No que toca à nutrição, a sua abordagem assenta num princípio claro: a dieta deve apoiar o tratamento, e não causar mais carências ao organismo.
O erro comum sobre o que comer durante o tratamento do SIBO com antibióticos
Muitos pacientes iniciam o tratamento com antibióticos (como a Rifaximina) e, ao mesmo tempo, adotam uma dieta low-FODMAP severa na esperança de “matar as bactérias à fome”. Contudo, o Dr. Pimentel explica que esta estratégia pode ter o efeito oposto.
A Explicação Científica: Quando restringe calorias e hidratos de carbono em demasia, as bactérias entram num estado de hibernação. Quando estão em hibernação, tornam-se muito mais resistentes à ação dos antibióticos.
Por isso, a recomendação oficial do Dr. Pimentel durante a toma de antibióticos é manter uma alimentação mais aberta e habitual. Ao receberem alimento, as bactérias permanecem ativas e expostas, tornando-se alvos muito mais fáceis para o medicamento cumprir o seu papel. Não se trata de cometer excessos com açúcar ou ultraprocessados, mas sim de não fugir dos alimentos que costuma comer no dia a dia.
O mito da fibra: precisamos realmente dela no SIBO?
As pessoas perguntam-se frequentemente sobre o SIBO e a fibra, preocupando-se em como obter a quantidade suficiente. No entanto, o Dr. Pimentel levanta uma questão principal: o que é fibra suficiente e será que precisamos realmente dela?
Muita gente consome fibra por acreditar que é estritamente necessária para a saúde. Contudo, abordagens como a dieta Paleo ou Keto demonstram que é possível ser saudável sem os altos níveis de fibra das dietas ricas em hidratos de carbono.
É verdade que a fibra promove a diversidade do microbioma no cólon (uma preocupação comum para quem questiona os efeitos da dieta low-FODMAP a longo prazo). No entanto, o Dr. Pimentel explica que, no caso do SIBO, colocar fibras densas no trato gastrointestinal, como o feijão, agrava o problema. A fibra atrasa significativamente a recuperação das “ondas de limpeza” (o complexo motor migratório). Como demora muito mais tempo a ser evacuada do intestino delgado, acaba por deixar resíduos fermentáveis acumulados, o que resulta em mais gás, inchaço e distensão abdominal.
O Perigo da Dieta Low-FODMAP a Longo Prazo
A dieta low-FODMAP é uma ferramenta excelente para controlar os sintomas a curto prazo, mas o Dr. Pimentel alerta que ela não é saudável a longo prazo.
- Deficiências Nutricionais: Estudos clínicos apresentados no ACG (American College of Gastroenterology) mostram que manter uma restrição low-FODMAP estrita por mais de três meses começa a gerar carências de micronutrientes (vitaminas e minerais).
- Perda de Diversidade: A restrição prolongada reduz a variedade do microbioma no cólon, onde as bactérias benéficas dependem da fibra para sobreviver.
- Impacto na Limpeza Intestinal: Certas fibras de digestão muito lenta exigem demasiado do trato gastrointestinal. Isso atrasa a recuperação das “ondas de limpeza” (o complexo motor migratório) do intestino delgado, deixando resíduos que perpetuam o gás e o inchaço.

A Solução: A Dieta de Baixa Fermentação
Para resolver o dilema entre a necessidade de nutrir o corpo e o controlo do SIBO, a equipa do Dr. Pimentel desenvolveu, ainda em 2001, a Dieta de Baixa Fermentação (Low-Fermentation Diet).
Ao contrário dos protocolos de restrição extrema, esta dieta:
- Garante 100% da dose diária recomendada de todas as vitaminas e minerais.
- É desenhada para ser sustentável no dia a dia, evitando a desnutrição.
- Reduz apenas os açúcares e hidratos de carbono de fermentação rápida, dando ao intestino delgado o descanso necessário para se manter limpo.
Conclusão Prática para a Recuperação
- Durante o tratamento: Não faça dietas restritivas enquanto toma os antibióticos. Coma de forma regular para manter as bactérias ativas.
- Após o tratamento: Sob orientação, adote uma estratégia de transição sustentável, como a dieta de baixa fermenteção, para evitar recaídas sem prejudicar o seu microbioma.
Aviso Legal: As informações contidas neste artigo, incluindo as recomendações e opiniões atribuídas ao Dr. Mark Pimentel, têm caráter exclusivamente informativo e educativo. Este conteúdo não constitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. O SIBO é uma condição complexa que requer acompanhamento individualizado. Nunca ignore o conselho médico profissional ou adie a sua procura devido a algo que leu neste blog. Consulte sempre o seu médico ou um nutricionista especializado antes de iniciar qualquer tratamento com antibióticos, alterar a sua medicação ou fazer mudanças drásticas na sua dieta. Cada caso é único e o que funciona para um paciente pode não ser adequado para outro.









